Estaria a Terra, voluntariamente, devolvendo os ataques que sofreu da humanidade?

Estaria a Terra, voluntariamente, devolvendo os ataques que sofreu da humanidade? O físico ambiental e autor da “Teoria de Gaia”, James Lovelock, acredita que sim, e afirma que a pandemia da Covid-19 pode ter sido apenas um “feedback negativo” que o nosso planeta esteja dando para nós.

Lovelock formulou a teoria que rege que o meio ambiente se ajusta aos abusos cometidos contra ele, com uma “intenção” de devolver a pancada. Hoje com 102 anos, o físico ambientalista assina um artigo no jornal britânico The Guardian, onde avisa que, se não mudarmos nossos caminhos – e mudarmos logo -, a coisa pode piorar muito, usando o aquecimento global como ponto de discussão.

O físico ambientalista James Lovelock, de 102 anos, afirma que a Terra já começou a “se defender” da humanidade, e diz que a Covid-19 pode ter sido apenas o primeiro aviso (Imagem: Jon and Lu/Creative Commons)
“Há quase 60 anos, eu sugeri que o nosso planeta se autorregula como se fosse um organismo vivo. Chamei isso de ‘Teoria de Gaia’ e, depois, juntou-se a mim a bióloga Lynn Margulis. Ambos fomos criticados por cientistas e pela academia”, diz trecho do artigo, “cuja visão tradicional neodarwinista era a de que a vida se adapta ao nosso meio, mas sem considerar que essa relação é uma via de mão dupla”.

“Alertas que antes pareciam cenários de morte em filmes de ficção estão agora acontecendo na nossa frente”, ele alerta. “Estamos entrando em uma era de calor onde a temperatura e o nível do mar continuarão aumentando década após década, até que o planeta fique irreconhecível. E nós podemos ter mais surpresas a caminho. A natureza não é linear e é muito imprevisível, muito mais ainda em períodos de transição”.

Lovelock acredita que um desses momentos intensos está ocorrendo agora: a pandemia da Covid-19, na visão dele, deveria ser vista como um alerta de que a Terra está se prontificando a reagir. E essa reação será contra nós, a humanidade. O ambientalista acredita que, passado o período pandêmico, podemos ser atingidos por algo ainda mais perigoso.

Vale lembrar: a Covid-19, em quase dois anos, já matou 5,02 milhões de pessoas – mais de 600 mil apenas no Brasil.

Lovelock posiciona várias citações ao evento COP26, onde a Organização das Nações Unidas (ONU) está discutindo com os países membros práticas avançadas de proteção ambiental global, para fundamentar a sua ideia de que a Terra já está devolvendo os ataques que sofre.

No evento, o Brasil, junto da China, Austrália, EUA e outros países, assinou um novo acordo de proteção florestal e prometeu zerar os desmatamentos nacionais até 2028 e reduzir em 50% as emissões de gás carbônico (CO2) até 2030.

Entretanto, especialistas coletaram dados dos últimos dois anos do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), concluindo que o nosso panorama não é favorável: entre 2019 e 2020, o índice de desmatamento da Amazônia foi maior do que nos últimos 12 anos, desde 2008, com 67% de aumento de área destruída.

Mais além, os últimos dois anos registraram o maior índice de emissão de CO2 desde 2006 – sendo que o Brasil prometeu atingir a neutralidade de carbono até 2050 (quando as emissões voluntárias são zeradas e despejos restantes são anulados por práticas de reflorestamento). A pandemia causou retração das emissões, que, globalmente, diminuíram em cerca de 7% frente a quarentenas e restrições. No caminho contrário, porém, o Brasil aumentou seu volume: 9,5%, impulsionado pelo desmatamento ampliada e o agronegócio com menos restrições.

Fora tudo isso, o volume de incêndios florestais aumentou, com 2020 sendo o pior ano de queimadas da última década. Segundo especialistas ouvidos pela BBC, foram 222.798 casos em 2020, contra 197.632 em 2019 – um aumento de 12,7%.

Diante de um panorama global de emissões excessivas, a ideia de que a Terra estaria devolvendo nossos ataques, como resposta à forma destrutiva como nós estamos a tratando, não foge muito do embasamento científico.

“Diminuir esses riscos e adaptar aqueles que não podemos mais evitar vai exigir uma mobilização de recursos em um escala comparável ao que se vê em um cenário de guerra. Não temos escolha a não ser reduzir a queima de combustíveis fósseis – ou enfrentar consequências ainda piores”, disse Lovelock, que aproveitou o artigo para advogar a adoção de combustíveis renováveis e fontes de energia nuclear aprimoradas.

 

FONTE OLHAR DIGITAL

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